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QUE HOJE VOCÊ POSSA LER E OUVIR PALAVRAS BELAS E EDIFICANTES. MAS SE OUVIR ALGUMA QUE O FIRA. NÃO SE REVOLTE NEM REVIDE. CALA-TE. É DIFÍCIL... DÁ UM NÓ NA GARGANTA... NO ENTANTO, TENHA FORÇA E CALA-TE. VERÁS COMO NO SILÊNCIO ESSAS PALAVRAS QUE FEREM SAIRÃO DE VOCÊ MAIS RÁPIDO, PORQUE ELAS SE SENTIRÃO SOZINHAS.

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segunda-feira, janeiro 30

TAO TE KING


TAO TE KING
Lao Tsé
Advertência:
A substituição da tradicional palavra latina crear pelo neologismo moderno criar é aceitável em nível de cultura primária, pois favorece a alfabetização e dispensa esforço mental - mas não é aceitável em nível de cultura superior, pois deturpa o pensamento.
Crear é a manifestação da Essência em forma de existência - Criar é a transição de uma existência para outra existência.
O Poder Infinito é o creador do Universo - um fazendeiro é criador de gado.
Há entre os homens gênios creadores, embora não sejam talvez criadores.
A conhecida lei de Lavoisier diz que "na natureza nada se crea, tudo se transforma", esta lei está certa se grafarmos "nada se crea", mas se escrevermos "nada se cria", ela resulta totalmente falsa.
Por isso, preferimos a verdade e clareza do pensamento a quaisquer convenções acadêmicas.
1 - Os livros máximos da humanidade:
Bhagavad-gita, de Krishna, nascido na Índia, há diversos milênios, orienta cerca de dois terços da humanidade.
Tao-te king, de Lao-tsé, nasceu na China há dois mil e seiscentos anos, e apresenta em oitenta e um pequenos aforismos toda a sabedoria dos grandes mestres da humanidade.
Evangelho, a mensagem viva de Cristo, orienta, há dois mil anos a consciência de quase toda a humanidade ocidental.
Se esses três livros fossem conhecidos e vividos, a vida terrestre do homem, em vez de ser um inferno de discórdias, seria um paraíso de harmonia e felicidade.
2 - Lao-Tsé
Lao significa "criança, jovem, adolescente".
Tsé é o fluxo de muitos nomes chineses, que quer dizer "idoso, maduro, sábio", e que corresponde ao grego "presbyteros", que significa literalmente "ancião", com a conotação de maduro, espiritualmente adulto.
De maneira que podemos transliterar Lao-tsé por "jovem sábio", 'adolescente maduro".
Lao-tsé viveu no século VI a.C. Passou a primeira metade de sua vida - cerca de quarenta anos - na corte imperial da China, trabalhando como historiador e bibliotecário. Em muitos aforismos transparece a grande familiaridade com a situação política do Império Celestial, fazendo, por vezes lembrar Shakespeare, cujos dramas revelam as intrigas e a corrupção das cortes européias de seu tempo; como o grande escritor britânico, Lao-tsé verbera o descalabro dos governos e aponta o caminho para a sua regeneração.
Em outros aforismos, Lai-tsé desce às últimas profundezas metafísicas da Realidade Cósmica, procurando atingir a raiz do Uno para além de todas as ramificações do Verso.
Nas explicações dos aforismos fizemos ver que Lao-tsé seguia o mesmo caminho da nossa "Filosofia Univérsica", que, embora nascida no Brasil em sua forma cristalizada, forma o background de todas as grandes filosofias da Antiguidade.
Homem de meia-idade, Lao-tsé abandonou a corte imperial e retirou-se, como eremita, para a floresta, onde viveu a segunda metade de sua longa vida, estudando, meditando, auscultando a voz silenciosa da intuição cósmica, que deixou seus reflexos no presente texto.
Finalmente, com cerca de oitenta anos, Lao-tsé cruzou a fronteira ocidental da China - e desapareceu, sem deixar vestígio de sua vida ulterior.
Ao cruzar a fronteira, encontrou-se com o guarda da divisa, que lhe pediu um resumo de sua filosofia, ao que Lao-tsé lhe entregou um pequeno manuscrito que continha a quintessência do atual Tao-te King.
O conteúdo deste pequeno manuscrito, de oitenta e um brevíssimos capítulos, consta de pequenos aforismos, muitas vezes em forma paradoxal.
Aliás, as grandes verdades se revelam quase sempre em simples epigramas, que lembram os Provérbios de Salomão e as Beatitudes do Cristo. Paradoxo, em grego, ou absurdo, em latim, quer dizer "além da mente", "ultramental", e designa uma verdade que a inteligência não pode alcançar nem afirmar, nem negar. Por isso dizia Tertuliano:"Credo quia absurdum", eu aceito a realidade espiritual, porque ela é ultra-intelectual, absurda, paradoxal. O que é intelectualmente cognoscível, como as coisas do ego empírico-analítico, não é espiritual, não é absurdo.
Lao-tsé, em quase meio século de silêncio e solidão, deve ter auscultado a voz do Infinito, a alma do Universo, e tentou exprimir em conceitos mentais e palavras verbais a sua sabedoria ultramental e ultraverbal.
Quem não esteja afinado pela mesma onda cósmica não compreenderá o verdadeiro sentido da filosofia de Lao-tsé.
Lao-tsé foi contemporâneo de outro filósofo chinês, Long-fu-tsé (Confúcio), o qual elaborou uma filosofia moral-social, que não transcende o plano horizontal da vida de cada dia, mas plasmou, como nenhuma outra, a vida do povo chinês. A filosofia de Long-fu-tsé não resistiu ao impacto do comunismo de nossos dias, sucumbindo, em parte, ao ateísmo militante e ao materialismo dialético dos sovietes.
Lao-tsé professa uma sabedoria de grande verticalidade, que nunca alcançou a popularidade da filosofia de seu colega. A filosofia de Lao-tsé se parece muito com a metafísica mística da Índia.
A experiência intuitiva é jovem e bela somente no instante atômico em que nasce espontaneamente das profundezas da alma cósmica; mais tarde, quando analisada intelectualmente, murcha e é profanada - e acaba como fóssil inerte.
Por isso, somente quem vive e vivencia a silenciosa experiência de Lao-tsé pode compreender a sua sapiência cósmica. Mais importante do que qualquer ato ego-consciente é a atitude cosmo-consciente.
"A verdade", dizia Mahatma Gandhi, "é dura como diamante, mas também é delicada como flor de pessegueiro." Quem apenas analisa intelectualmente os aforismos filosóficos de Lao-tsé pode sentir repelido por sua dureza diamantina, mas quem sabe intuir espiritualmente a alma dessa sabedoria, esse gozará a sua delicadeza flórea.
Tao-te king convida o leitor a ser, acima de tudo, um auscultador da silenciosa alma do Universo.
3 - "Tao-te king"
Uma vez que os chineses não escrevem com letras como nós, mas usam ideogramas para exprimir idéias, não há uniformidade nas palavras, quando reproduzidas pelos nossos símbolos alfabéticos. Lao-tse, Tao, te, king, admitem diversas grafias, como Lau-tsi, Dau, che, ching, etc.
Tao significa o Absoluto, o Infinito, a Essência, a Suprema Realidade, a Divindade, a Inteligência Cósmica, a Vida Universal, a Consciência Invisível, o Insondável, etc. Nunca representa um indivíduo, uma pessoa, como Deus nas teologias ocidentais.
Te pode ser traduzido por caminho, diretriz, revelação.
King corresponde a livro, escrito, documento.
Tao-te king pode ser traduzido por "Livro que leva à Divindade", ou "O Livro que revela Deus".
Na presente tradução do texto, guiamo-nos, em parte, pelos tradutores alemães Rudolf Bacjofen e Werner Zimmermann, versão que consideramos bem próxima do original.
Uma vez que a escrita chinesa usa ideogramas em vez de letras, cada palavra permite vastas possibilidades de sentidos e variantes. Basta lembrar que os referidos tradutores recorrem a mais de trinta palavras diferentes para exprimir o sentido do ideograma chinês para o Tao; não estão interessados em reproduzir o corpo da palavra, mas sim a alma do texto, de acordo com o contexto.
Na escrita ideográfica trata-se mais de sentir, adivinhar, farejar o sentido exato de cada símbolo, do que, propriamente, transliterar o respectivo ideograma.
4 - Para compreender o Tao
Deus, Brahman, Yahveh, Tao - o que se entende por esta palavra?
Para muitos, Deus é uma espécie de ditador celeste, uma pessoa que vigia os homens de longe e registra os seus créditos e débitos, premiando-os ou castigando-os depois da morte, mandando os bons para um céu eterno e os maus para um inferno eterno.
Esse infantilismo primitivo domina as teologias cristãs de dois mil anos, e, embora haja grandes variantes dessa concepção de Deus, no fundo essa idéia e antropomorfa.
Entretanto, essa concepção nada tem a ver com o Tao.
Em seu livro Mein Weltbild, Einstein descreve maravilhosamente três tipos de concepção de Deus: 1) O conceito do Deus-máquina, entre os povos mais primitivos, 2) o conceito de Deus-pessoa, entre os hebreus do Antigo Testamento, em geral, e entre os cristãos de todos os tempos e países, 3) o conceito de Deus-cósmico, professado por uns poucos místicos avançados, cujos representantes ultrapassam igrejas e teologias e se encontram esporadicamente, entre todos os povos e em todas as religiões. Einstein enumera, entre os da terceira classe, Demócrito, Francisco de Assis e Spinoza, quer dizer um pagão, um cristão e um hebreu, dizendo que eles são irmãos na fé.
Lao-tsé e seu conceito de Tao poderia ser incluído no terceiro grupo, dos místicos cosmo-sapientes.
A elite espiritual dos povos orientais e os verdadeiros místicos do Ocidente são os representantes mais avançados da cultura espiritual da humanidade; todos eles professam a idéia do Deus-cósmico. Não são politeístas, nem panteístas, nem mesmo monoteístas - são monistas cósmicos.
O monoteísta reconhece um só Deus pessoal, residente no céu. Os hebreus, no tempo de Moisés, nunca chegavam à idéia de um Deus único para Israel, o Deus dos Exércitos. O monoteísmo nunca atingiu as alturas do verdadeiro monismo. Todo monoteísta é dualista, isto é, admite a existência de um Deus transcendente, de um Deus-pessoa, residente em alguma região longínqua do cosmos, com o qual o homem espera encontrar-se depois da morte.
Esse conceito do encontro com Deus num tempo futuro e num espaço distante é comum a todos os monoteístas. Essa concepção monoteísta-dualista de Deus contagiou, desde o princípio, o cristianismo ocidental o que é perfeitamente compreensível, uma vez que os primeiros discípulos de Jesus vieram do judaísmo. Até hoje o cristianismo teológico do Ocidente não se libertou totalmente dessa herança. Os místicos cristãos, adeptos do monismo cósmico, foram por isso mesmo perseguidos, excomungados, ou, pelo menos, considerados suspeitos de heresia. Quando uma criança pensa em termos de adulto, deixa de ser criança, e os jardins de infância a expulsam como elemento estranho.
Quanto mais o homem se cosmifica ou universifica, tanto menos unilateral se torna, e tanto mais unilateral é a sua sabedoria. A luz colorida em seu modo de pensar humano revela a luz incolor de sua experiência divina, origem de todas as cores.
Para o monista cósmico, Deus é a Realidade Una e Única, o grande Uno da Essência, que sempre de novo se revela através da pluralidade das existências, através do Verso das creaturas. As creaturas não são novas realidades, mas apenas novas manifestações da única Realidade; são o Uno da Essência Infinita que se "verte" (verso) ou esparrama no Verso das existências finitas.
Em face da onipresença do Infinito é evidente que todos os finitos estão presentes no Infinito e o Infinito está presente em todos os finitos.
O monismo, assim concebido, é rigorosamente lógico, e revela uma acribia de precisão matemática.
Toda filosofia ou sabedoria superior culmina infalivelmente no monismo cósmico, eqüidistante do dualismo separatista e do panteísmo identificador. Para o monista, tudo está em Deus, e Deus está em tudo - mas tudo não é Deus, nem Deus é tudo; as creaturas não estão separadas de Deus, nem são idênticas a Deus.
Todos os verdadeiros gênios da humanidade pensavam e sentiam em termos de monismo cósmico, cujo exemplo mais brilhante é o Cristo do Evangelho.
E como poderia Lao-tsé, o grande gênio da sabedoria chinesa, ter pensado e sentido de outro modo? Através dos oitenta e um capítulos brevíssimos do Tao-te king, se lança, como um fio de luz, a experiência do Infinito, do Absoluto, do Uno, que se manifesta através dos Finitos, dos Relativos, do Verso.
A sabedoria de Lao-tsé é tipicamente univérsica: do Uno emana o Verso; o Verso está no Uno, e, embora o Uno do Infinito transcenda todo o Verso dos Finitos, contudo estes estão imanentes naquele.
O Tao, em torno do qual gira esse tema, pode ser considerado como sendo a Divindade, o Absoluto, o Infinito, o Eterno, o Insondável, o Uno, o Todo, a fonte, a Causa, a Realidade, a Alma do Universo, a Vida, a Inteligência Cósmica, a Consciência Universal, etc.
Enquanto o leitor não se identificar totalmente com essa consciência univérsica do monismo cósmico de Lao-tsé, não compreenderá a alma do Tao-te king.
O "tei-gi"
A bipolaridade complementar do Cosmos, que permeia toda a filosofia de Lao-tsé, é maravilhosamente simbolizada pelo antiqüíssimo diagrama chinês tei-gi.
Analisando a gênese desse símbolo, podemos dizer: o círculo incolor e vácuo representa a TESE do Absoluto, Brahman, a Divindade, como o puro Ser:
Este círculo incolor é indefinido do Absoluto, evolve rumo aos Relativos do Devir, aparecendo como positivo e negativo, yang e yin, masculino e feminino, céu e terra; o simples Ser de Brahman se tornou o Creador Brahma, iniciando o drama da evolução:
Estas duas Antíteses amadurecem na Síntese, rumo à Tese inicial, integrando-se nela sem se diluir na mesma - de maneira que a Tese Cósmica, passando pelas Antíteses Telúricas, culmina na Síntese Cosmificada.
E o que se dá automaticamente no Cosmos Sideral pode acontecer espontaneamente no Cosmos Hominal, pelo poder creador do livre-arbítrio humano:
O tei-gi simboliza a quintessência da filosofia de Lao-tsé, o alfa e ômega de Tao e da mentalidade chinesa, que coincide, basicamente, com a nossa Filosofia Univérsica.
Nota: Texto baseado no livro Tao te king, de Lao-tsé, traduzido por Huberto Rohden.

PORTAL ARCO-ÍRIS

terça-feira, agosto 2

Texto koan para sua reflexão

TEXTO KOAN PARA A SUA REFLEXÃO
Eis que vos digo um mistério:
nem todos dormiremos,
mas transformados seremos
todos, num momento, em um
abrir e fechar de olhos.

(Bíblia de Jerusalém)

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terça-feira, maio 24

TAOISMO


O Taoísmo como filosofia de vida teria sido desenvolvido pelos mestres Lao-Tse e Chuang Tzu. Como a palavra Lao-Tse quer dizer “velho mestre” não se sabe se de fato existiu. O que a tradição nos diz dele é que escreveu um livro, o Tao Te King. Neste livro está a base filosófica do Taoísmo. Ele é composto de 81 pequenos capítulos, com afirmações muito profundas e às vezes difíceis de serem entendidas. Este livro tornou-se muito conhecido em todo o mundo e é, depois da Bíblia, o livro mais traduzido da história da humanidade. Temos no Brasil diversas traduções dele. Nele há afirmações muito interessantes, como por exemplo: “Quem conhece os outros é inteligente; quem conhece a si mesmo é sábio. Quem vence os outros é forte; quem vence a si mesmo é poderoso”. O segundo mestre é um discípulo do primeiro e também deixou um escrito, o chamado “Livro de Chuang Tzu”. Nele estão pequenas histórias do cotidiano, muitas vezes até engraçadas, mas que deixam ensinamentos práticos para a vida.


Alguns conceitos básicos do Taoísmo talvez nos ajudem a termos uma idéia melhor do que é esta filosofia de vida.



a) O TAO. Esta palavra, que é inclusive a origem do nome da religião, quer dizer caminho, no sentido de caminho a ser seguido. No TAO se reconhece ao ordem de todo o universo. Ele é o caminho individual, mas também o caminho para o todo. Para os taoístas, o caminho a ser descoberto e seguido é o caminho da simplicidade. A ordem do universo é a simplicidade. Quanto mais complexa for a organização das coisas, menor chance tem ela de dar certo. As coisas têm um caminho natural, e este é que deve ser descoberto e seguido. O ser humano não deve pois fazer o caminho, construir o seu caminho. Deve sim descobrir e seguir o caminho que lhe é natural. Este conceito teria sido elaborado quando a sociedade chinesa estava em decadência. E aí os mestres do Taoísmo fazem a proposta da volta à simplicidade.


b) O wu-wei. Esta expressão quer dizer “não fazer” ou a “não ação”. O wu wei não é a mera inatividade, mas sim a ação perfeita. É a ação feita em perfeita harmonia com o todo, em perfeita harmonia com a natureza, em perfeita harmonia com a pessoa e sua situação. É totalmente livre, porque nela não há nenhuma força ou violência. O Taoísmo crê que existe uma maneira natural de ser e de agir. Esta maneira de agir é tão harmônica e tão equilibrada, que ela não irá se chocar com nada. Ela é simples e natural. É como a água de um rio: quando ela encontra o seu caminho natural, ela corre em harmonia. Assim também o ser humano deve descobrir sempre o seu caminho natural. Com isso ele irá agir sem qualquer violência, mas irá sempre alcançar o objetivo de sua ação.



c) O Yin e Yang. Outros dois conceitos muito importantes do Taoísmo são os conceitos yin e yang. Estes dois conceitos surgiram há muitos séculos antes de Cristo e foram acolhidos e trabalhados pelo Taoísmo. A idéia é que todo o universo existe na tensão entre dois pólos, ou duas forças: o polo yin e o polo yang. Eles são a polaridade a partir da qual surgiu o universo, na base de todas as coisas está esta polaridade. Elas são, por exemplo, as forças do feminino (yin) e do masculino (yang). Todos os elementos da natureza podem ser classificados como yin ou yang. Originalmente yin e yang designavam o lado sombreado e o lado ensolarado de uma montanha. Assim, fundamentado nesta teoria, tudo o que está ligado à terra é feminino e do âmbito de yin. Tudo o que está ligado ao céu é de yang e é masculino, pois o céu e a terra, o sol e a lua têm sua origem de yin e yang. Yang é a força de iniciar, de dar começo, algo dinâmico, que se expande, é redondo, se movimenta, é masculino e fecundante. As associações elementares com yin, por outro lado, são: algo que se completa, estático, conservador, includente, quadrado, tranqüilo, feminino, que dá à luz. A idéia destes dois princípios foi estendida a outros âmbitos, vindo a designar aspectos complementares em grupos sociais e a complementariedade sexual. Por trás dos conceitos de yin e yang está tanto a idéia de forças contrárias, como também a idéia da complementariedade, da interdependência, da confluência. Tudo o que existe, está ligado a estes dois princípios.

Para os taoístas, o ser humano deve pois descobrir seu caminho (TAO), agir de maneira perfeita e natural (wu-wei), percebendo que nele há forças que são contraditórias e complementares (yin e yang).







O Ch'i

A palavra mais usada e abusada no Taoísmo é Ch’i, ou qi. Pode ser traduzida por "energia", "poder vital", "poder interior", ou simplesmente alento. Muitos estudiosos sugerem que é uma palavra que não poderia ser traduzida. A letra escrita que representa Ch’i na sua forma antiga mostra água se transformando em vapor, e significa "nuvens de vapor". E quando um chinês quer falar "respiração", ele usa a palavra Ch’i. se uma pessoa está doente, o médico confirma que o Ch’i da pessoa está funcionando mal. Ch’i é o que pode mudar de uma hora para outra , e causar a mudança, ao mesmo tempo; o que pode algumas vezes ser visto e outras vezes não...

O Ch’i está presente em tudo no universo, e é também o TAO. O Ch’i forma a essência da existência e a compreensão da evolução cósmica. Nós já sabemos que yin e yang são usados para explicar todas as mudanças, mas eles não são mais do que o próprio Ch’i, chamado yinch’i e yangch’i.

O Ch’i interage com o Jing, ou essência. Ele é considerado a origem do corpo. Sem esse Jing, o corpo não existe, e não pode fabricar Ch’i.

Para manter a saúde, é essencial resguardar o Jing da pessoa. Por isso se compreende por que os médicos chineses se interessam muito pela vida sexual do paciente. Quando muito Jing é perdido, não consegue ser reposto pelo corpo, que carece de sua fonte essencial.

O Ch’i, como uma transformação de Jing, pode ser transformado ou refinado em Shen, que significa a consciência e a inconsciência, ou melhor, o espírito.

O Taoísmo tem esse nome porque mostra como viver de acordo com o Tao, a fonte de todas as coisas, indo ao sabor da corrente, não lutando contra a maré. "O Tao nada faz, mas ao mesmo tempo nada deixa de ser feito."

As forças opostas são independentes e cada um contém a semente ou potencial da outra. O yin está associado à escuridão, à água e ao feminino; o yang, à luz, à atividade, ao ar e ao masculino. O Taoísmo, como outros cultos orientais, assume uma equação entre o mundo exterior e o mundo interior. O homem e o mundo são funções um do outro, o que normalmente uma pessoa comum não percebe. Para que isso se manifeste, existe um "know-how" de dois estágios: o primeiro é o uso apropriado do sexo; o segundo é desenvolver uma estrutura interior meditativa, um "corpo sutil" feito de energias, fazendo com que cada um entre em harmonia com o Todo.
Isso no Tao é experimentado como tranqüilidade total.




Tai Chi

O Taoísmo é a religião que mais trata da saúde: a longa vida ou a imortalidade é um de seus objetivos. Aqui, o ideograma chinês da longevidade.
O TAI CHI É A PRÓPRIA EXPRESSÃO DO TAOÍSMO

O Tai chi incorpora os princípios taoístas do Tao Te-Ching. Inspirado na luta de uma águia com uma cobra, observada uma vez por um mestre taoísta, consiste em concentrar a energia, extraindo a força da terra e o ch’i do céu.

Dizem que a história do Tai chi vem da crença do elixir da longa vida, na época da dinastia Han.
O preparo desse elixir foi tentado pelos alquimistas da época, causando várias baixas na família imperial, pois se utilizavam do cinabre, um composto altamente venenoso.

A busca então se dirigiu para o interno, para as disciplinas mentais e físicas.

*portal arco-iris

terça-feira, maio 10

I CHING (Yi Jing)

O I CHING (Yì Jīng) é um estudo sagrado e milenar, que vem encantando sábios e estudiosos de todos os tempos, revelando os segredos que regem as transformações de tudo o que há no Universo.

Tudo o que existe muda constantemente. Dos átomos às galáxias, passando por todos os seres (inclusive nós mesmos!), nada escapa às leis que orientam essas transformações. Conhecendo tais leis, podemos compreender melhor os processos de mudanças pelos quais passamos, agindo conforme a sabedoria de cada situação.

Avançando no momento de avançar, parando no momento de parar, recuando ou desviando conforme a circunstância, deixamos de “remar contra a maré”, harmonizando-nos com os movimentos naturais do Universo e da vida. É somente através dessa consciência que podemos interferir verdadeiramente em nosso próprio destino.

Por isso, o I Ching é o estudo fundamental que embasa todo o conhecimento do Taoísmo e suas artes de sabedoria.


O Tratado das Mutações

I Ching (Yì Jīng) significa Livro ou Tratado das Mutações. É um tratado cujos textos sagrados orientam-se para a razão do Universo e é um dos mais importantes livros na cultura chinesa. Oferece um complexo e meticuloso manual para a compreensão do constante fluxo energético que continuamente cria e altera o mundo em que vivemos. Oráculo e obra filosófica, foi revelado como meio de aprimoramento para o ser humano viver de forma equilibrada, harmônica e em maior sintonia com o seu próprio Destino.
Foi uma das mais longas obras escrita em todos os tempos. Teve início em 5.577 a.C. e foi até 479 a.C., redigida por quatro grandes sábios chineses:
Fu Xi (O Senhor do Grande Céu): estudou o céu, a terra e os organismos do seres vivos e criou os primeiros símbolos do Yì Jīng ( I Ching ) – o Tai Chi (Yin - Yang), os oito trigramas e 64 hexagramas.
Rei Wen: Fundador da Dinastia Chou (1.121 - 256 a.C.). Autor dos 64 “Julgamentos” dos hexagramas — os comentários sobre cada hexagrama.
Duque de Chou: Filho do Rei Wen. Escreveu os “julgamentos das linhas”, que determinam os significados das 384 linhas em cada hexagrama.
Confúcio (Kuon Fu Tzé ou Kuon Tzé): Viveu entre 551 - 479 a.C. Um dos maiores filósofos chineses de todos os tempos. Escreveu sete obras sobre o I Ching num total de dez volumes, chamados de “Dez Asas”.
O livro examina os 64 hexagramas (de seis linhas) compostos a partir das combinações dos oito trigramas que representam os estados essenciais da natureza e do universo. No julgamento de cada hexagrama e na análise das linhas são especificadas as situações de interação entre a polaridade Yin e o Yang – recolhimento e expansão – que produzem os fenômenos mutáveis que vivemos, indicando que todas as coisas quando chegam ao seu limite máximo transformam-se no oposto.
O Yì Jīng ( I Ching ) é um conjunto de estudos: inclui grande quantidade de conhecimentos nas áreas astronômica, astrológica, ambiental, matemática, métodos de consulta, análise do Céu, estudos dos fenômenos, etc. Yì Jīng ( I Ching ) é uma tradição, um ensinamento. É como se existisse a matemática e um livro chamado “A Matemática”. O livro e a matemática em si não podem ser confundidos. O livro faz parte do universo da matemática, que inclui outras obras. Assim, existe o Yì Jīng ( I Ching ), e o livro “Yì Jīng ( I Ching )”. O livro faz parte do vasto conhecimento do Yì Jīng ( I Ching ).
Existem vários métodos de consulta. O mais tradicional é através de ferramentas como varetas de milefólio ou moedas. Mas há também o Yì Jīng ( I Ching ) Flor de Ameixeira: um oráculo com característica mais dinâmica, que pode trazer uma revelação diretamente do Céu, da Natureza ou do Universo, sem que uma pergunta seja formulada. Tudo o que existe, tudo o que acontece na vida, pode ser codificado em símbolos do Yì Jīng ( I Ching ) através de imagens e números transformado em oráculo. Não utiliza moedas nem varetas.

fonte: Sociedade Taoista do Brasil
http://www.taoismo.org.br/stb/

p.s.: Ao Mestre, com carinho!

quarta-feira, abril 27

Dou Mu, o túnel por onde nasce o Tempo e o Cosmo

Dou Mu é a divindade taoísta responsável pela existência das galáxias e das estrelas. Representa o túnel por onde nasce o tempo e o cosmos. Segundo a teologia taoísta, é considerada a criadora do tempo. Por isso, tem poder sobre o destino.


Dou Mu é a divindade que permite a expressão do tempo e do espaço. Por ter criado todos os corpos celestes, que com seus movimentos nos dão a noção de tempo, é a mãe das constelações.
O tempo, como nós o compreendemos, surgiu com Dou Mu. Ela simboliza o Portal entre o nosso mundo Yin/Yang – onde o tempo é finito e pode ser medido – e os mundos do Tai Ji – onde o tempo é infinito – e Wu Ji, o mundo não-tempo.
A Mãe das Estrelas situa-se no limiar entre o Mundo Manifestado e o Absoluto. Controla a abertura através da qual nasce o nosso universo e também permite a volta ao Absoluto.
Dou Mu está no portal entre dois mundos. Em um deles há vida e morte; no outro, nem há vida nem morte – o que existe é o Espírito e o Sopro do Absoluto. Por isso, na China, é cultuada para favorecer a longevidade.
Na China, em homenagem a Dou Mu, é realizado, uma vez por ano, um dos principais rituais taoístas, com duração de 52 dias. O ritual é celebrado para invocação de longevidade, proteção, segurança, prosperidade e felicidade.
Também é possível solicitar um ritual em intenção da divindade Dou Mu, Mãe das Estrelas. Os sacerdotes da Sociedade Taoísta do Brasil estão aptos a realizá-lo.
fonte: Jornal Tao do Taoísmo - n. 20 índice