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QUE HOJE VOCÊ POSSA LER E OUVIR PALAVRAS BELAS E EDIFICANTES. MAS SE OUVIR ALGUMA QUE O FIRA. NÃO SE REVOLTE NEM REVIDE. CALA-TE. É DIFÍCIL... DÁ UM NÓ NA GARGANTA... NO ENTANTO, TENHA FORÇA E CALA-TE. VERÁS COMO NO SILÊNCIO ESSAS PALAVRAS QUE FEREM SAIRÃO DE VOCÊ MAIS RÁPIDO, PORQUE ELAS SE SENTIRÃO SOZINHAS.

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sábado, setembro 10

QUETZALCOALTL - A Lei do Centro

O hieróglifo nahuatl, que com maior freqüência encontramos, é o de uma figura que através de infinitas variantes está determinada sempre por quatro pontos unificados em seu centro, disposição que hoje conhecemos como "Quincunce".
O 5, isto é, o 5° ponto tem um significado muito particular na cosmovisão americana pré-colombiana, e não só entre ela, pois muitos panteões do oriente e ocidente expressam este algarismo como ponto de fusão ou união entre os 4 pontos cardeais, os 4 membros do corpo humano, os 4 reinos que coexistem na terra, os 4 elementos integrados no Universo, etc...
Porém, entre os americanos, o Quincunce tem uma conotação particular: é o emblema do 5° sol, o coração do céu. Pareceria ser a estilização do quadrilátero e do triângulo, sendo o seu centro, vértice da pirâmide reduzida a uma figura plana, sendo como se segue:
A simbologia teotihuacana expressa o conceito dos quatro elementos primordiais por um ponto sintetizador, conceito este que é a medula de todo o desenvolvimento teológico deste povo. Desta forma, o céu e a terra encontrar-se-iam no homem e, com maior precisão, no coração humano.
Quetzalcoatl, principal divindade do panteão “maia/azteca”, representada por um pássaro/serpente ou uma serpente emplumada, é também o nome de um conceito cósmico, dando a idéia de ponte entre o animal e o divino. Na chave interpretativa astronômica, Quetzalcoatl é a Via Láctea e na astrológica, o planeta Vénus, com o qual o vemos continuamente identificado. Dizem as tradições que inaugurou a Era do Centro, a 5° idade, aquela que ultrapassou os 4 sóis precedentes, isto é, as 4 raças de que nos fala o “Popol Vuh”. Este ser, entre mítico e histórico, já que nos anais encontramos um governante com o mesmo nome, tinha como preocupação vencer a inércia e verticalizar os esforços, criando assim uma doutrina mística que lembrasse aos homens sua origem celeste. Por isso, o Quincunce era seu emblema, como também de um remoto deus “Huehueteo tl” - Velho deus do Fogo - (lembremos que o fogo é elemento dinâmico por excelência) e se observarmos detidamente o Quincunce percebemos que nele está impresso um continuo movimento de transformação ininterrupta. Se nos aproximamos do oriente há uma divindade de que nos fala o Rig Veda, isto é, Agni que "coincidentemente" simboliza o fogo, responsável pela purificação da matéria.
Sabe-se que o ano venusiano de 584 dias, compõem-se de um período diurno e um crepuscular, separados pelas conjunções superior e inferior, no curso dos quais o planeta desaparece nos raios solares (pg. 48 a 50 do manuscrito maia, Biblioteca Dresden). Depois de uma união de 90 dias com o sol (e da invisibilidade que resulta desta conjunção superior) Vênus aparece durante 250 dias no céu da tarde.
É quando então sobrevem o drama: submetida à lei da gravidade própria das coisas naturais, Vénus se verá irresistivelmente atraída pelo baixo-mundo até desaparecer em suas profundidades. Oculta-se durante 8 dias o que corresponde à conjunção inferior que precede a sua emergência oriental.
Esta realidade astronômica, vemo-la refletida no mito da vida de Quetzalcoatl. Diz-se que foi engendrado no preciso momento que sua virgem mãe engoliu uma pedra preciosa (símbolo da perfeição e da Luz); outras versões ainda mais remotas afirmam que veio de Vênus. Sua inocência e pureza eram tão grandes que os demônios (almas primitivas) não toleravam sua presença e continuamente o submetiam à tentações. Como o divino jovem não tinha ainda percebido seu corpo, puseram-no à frente de um espelho e, ao ver tal imagem, seu coração encheu-se de amargura e tristeza, pois considerava esse corpo feio, imperfeito e carente de harmonia. Os tentadores, aproveitando seu desconsolo, ofereceram-lhe uma bebida embriagante, e do espelho fizeram surgir uma imagem feminina. O jovem asceta perdeu sua virginal pureza, caindo no mundo vulgar.
Quando o efeito do álcool já se estava diluindo, achou-se fora do palácio; entrou num sarcófago de madeiro, e ali permaneceu 4 dias. Ao fim destes levantou-se, dirigiu-se, ao mar, fez uma fogueira e queimou-se nela. Então surgiram no horizonte aves que levaram suas cinzas até o céu em forma de pirâmide e a alma, de Quetzalcoatl volta à sua pátria, Vênus.
Tudo está maravilhosamente estruturado.
Teotihuacan, palavra nahuatl que significa Cidade dos Deuses, é um dos centros arqueológicos mais importantes em toda a América Latina. Foi uma metrópole dedicada quase que exclusivamente a atividades religiosas, onde "a serpente aprendia milagrosamente a voar, isto é, onde o indivíduo adquiria a categoria de ser celeste". Entre as pirâmides dedicadas uma ao Sol e outra à Lua, encontramos o templo de Quetzalcoatl, enfeitado com 365 cabeças em alto relevo e com os símbolos que representam o ano astronômico.
Se a ciência arqueológica dedicasse um pouco de suas energias a desvendar os enigmas que existem neste centro cultural, seguramente descobriria que nenhuma de suas construções, imagens, monumentos, etc..., foram realizados por acaso e, sim, com uma profunda intenção de esquematizar uma verdade que hoje se esconde em suas esquecidas ruínas. A Lei do Centro, está presente em cada palmo destas silenciosas sentinelas que, fundamentadas nas revoluções dos astros e em precisos cálculos matemáticos, encerram unidades cada vez mais complexas, as quais, através de sua configuração, se vão surpreendentemente sintetizando.
A própria serpente corrobora isto, e em sua pele podemos observar como seus módulos vão se dilatando e contraindo sistematicamente. O finito e o ilimitado, o tempo e a eternidade fundem-se no Quincunce, como a importância de uma cultura que, embora ignorada, mantém acesa a sua mensagem esperançosa de que futuros homens, filhos deste mesmo passado, redescubram sua gloriosa origem.
EMILIO MOUFARRIGE
Revista Thot - Número 6 Julho/Agosto de 1976
fonte: Instituto de Pesquisas Psíquicas Imagick 

quarta-feira, março 9

Deuses Maia

Viracocha - Wiracocha

 

O Deus sul-americano Viracocha, cujo nome significa "Espuma do Mar" e é associado ao Quetzalcoatl/Kukulkan asteca/maia. (afinal todos eles são o grande "homem branco barbado")

Existem relatos de quatro encarnações do Deus com esse nome, sendo duas onde ficou conhecido como "Senhor de Sipan" ("Viracocha" e "Viracocha Pachacamac"), e outras duas, "Viracocha de Tiahuanaco" (a imagem da postagem  é a parte superior desse Viracocha que está no topo da "Porta do Sol" em Tiahuanaco) e a ultima delas ficou conhecida como "Viracocha Inca", pouco antes da invasão espanhola.

Na mitologia inca, Viracocha (em quechua Apu Kun Tiqsi Wiraqutra) era a divindade invisivel criadora da cosmovisão andina. Era considerado como o explendor originario, o "Senhor, Maestro do Mundo". Na realidade foi a primeira divindade dos antigos Tiahuanacos, que proviam do Lago Titicaca. Surgiu das águas, criou o céu e a terra. O culto ao Deus criador supôs um conceito do abstrato e do intelectual, e estava destinado só à nobreza. Este deus ao que parece também se encontra na iconografia dos habitantes de Caral e Chavín.
Etimologia

Em quéchua, Tiqsi significa fundamento, base, inicio; Wiraqutra provém da fusão de dois vocábulos: wira (gordura) e qutra (contedor de água - lago). Na simbologia dos antigos andinos, a gordura era uma figura da energia e a água o elemento capital do ciclo vital do universo.

Quando os primeiros cronistas chegaram à América, o espanhol estava em plena evolução e seu alfabeto carecia de normativa. Em tais casos era comum o uso tanto do "V" quanto do "U" para representar indistintamente a vogal U e a semiconsoante W, hoje representadas por U ou HU. Por tal motivo foi geralmente transcrita como Viracocha, ainda que alguns outros escrevessem Huiracocha ou Huiraccocha. Outras versões foram Ticci, Tiki ou Teisi.
Doctrina

Viracocha, igualmente a outras divindades, foi nômade e teria um companheiro alado, o pássaro Inti (nome do Deus-Sol Inca), uma espécie de passáro mago, conhecedor da atualidade e do futuro, representado em mitos orais como um beija-flor de asas de ouro (Quri qinqi)

Se dá ao Deus todo-poderoso a faculdade de dirigir a construção de todo o visível e invisível.

Começa sua obra no mundo dos antigos (ñawpa pacha) talhando na pedra as figuras dos primeiros seres humanos, dos primeiros homens e mulheres que vão a ser o cimento de seu trabalho. Viracocha vai situando essas estátuas nos sítios correspondentes e, a medida que lhes dá nome, se animam e tomam vida na obscuridade do mundo primogenito (ñaupa pacha), pq o Deus ainda não havia se ocupado de dar luz à Terra, somente iluminada pelo resplendor do Titi, um puma selvagem e ardente que vive em cima do mundo, seguramente o jaguar que se mescla com outros animais nas representações totemicas do império Inca e das culturas pré-incaicas anteriores.

Este mundo, ou Kay Pacha, todavia está em trevas pq Viracocha

Satisfeito com os humanos, o Deus prosseguiu seu projeto, agora pondo em seu lugar seus filhos, Inti (Sol) e (Mama) Quilla (Lua), e as estrelas infinitas, até cobrir toda a abobada celeste com suas luzes.

Depois, Viracocha se dirige para o norte para, desde lá, chamar a seu lado as criaturas que ele acaba de dar vida própria.

A partir de Tiahuanaco, Tiqsi Huiracocha havia delegado as tarefas secundárias da criação a seus dois ajudantes, Tocapu Huiracocha e Imaymana Huiracocha, que empreendem imediatamente as rotas leste e oeste dos Andes, para dar vida e nome a todos os animais que vão fazendo aparecer sobre a face da Terra, numa maravilhosa missão auxiliar e complementária da realizada antes por seu Deus e senhor Huiracocha, missão que terminam junto às bordas do mar, para se perderem na água após a tarefa cumprida.

Nos mitos orais se revela Huiracocha como um sábio governante da época de Caral que deu as leis da economia da retribuição (troca, sistema de distribuição do trabalho) como também do Ayllu ou grande unidade familiar andina. Este Viracocha logo ascendeu à categoria divina, da mesma forma que todos os grandes governantes dos incas e seus antepassados.
dirige todo o seu trabalho a eregir um mundo completo e ao nascimento dos seres humanos que vão desfrutar dele
.Este texto composto pelos três primeiros posts foi retirado da versão em espanhol do Wikipedia, traduzida por Thiago da comunidade do Orkut Viracocha - Wiracocha

Deus Criador e herói civilizador do panteão Inca.


Seu nome completo Viracocha Pachacaiachi, significa "o criador de todas as coisas". Ao criar os homens ordenou-lhes que mantivessem a harmonia entre si, obedecessem um códico de moral e o servissem e honrassem. Quando uma parte das criaturas deixou-se dominar pelo orgulho e entregou-se ao pecado, Viracocha enviou o grande dilúvio, Uno Pachacuti, para cobrir o Mundo, poupando apenas três indivíduos destinados ao repovoamento. Depois criou quatro povos e, após muitas peripécias, considerando finda a sua missão terrena, caminhando de costas sobre o mar, desapareceu no horizonte.

Texto: Grande Enciclopédia Larousse Cultural - Volume 24

 

Mictlantecuhtli


Mictlantecuhtli
Mictlan ("inferno, terra dos mortos") + tecuhtli ("senhor"): Senhor do Inferno. Deus do 9º Inferno dos Aztecas, o mais profundo de todos, representado como um deus esquelético.

Deus asteca do plano inferior e da morte/mortos. Juntamente com sua esposa Mictecacíhuatl controla o mundo inferior ou reino de Mictlan. Exerciam sua soberania sobre os 9 planos inferiores e sobre a alma dos mortos.

Mictlantecuhtli é representado como um Deus-esquelético ou com uma caveira com muitos dentes, e compõe dualidade com Quetzalcoatl (como deuses da vida e da morte).

Associado às aranhas e aos morcegos, Deus regente do número 6, do décimo glifo do calendário sagrado, Oc [maia] ou Itzcuintli [asteca], Cachorro, e regente da trezena da Faca, Etznab [maia] ou Tecpatl [asteca]. 


Ehecatl - E'ekatl


Deus Vento, do alento divino, da vida.

Considerado a principal manifestação (nahualli) de Quetzalcoatl como Chiknawi Ehecatl (9 Vento).

Tepetl ("montanha") + yollotl ("coração"): Coração da Montanha. Deus da terra e das cavernas, provocador de terremotos. Representado por um jaguar.

Principal Deus-Jaguar mesoamericano, considerado a principal manifestação (nahualli) de Tezcatlipoca.

Seu nome é traduzido por "Coração da Montanha".

Deus regente do signo 3 (Casa/Noite) e da terceira trezena (ciclo de 13 dias), a trezena de Mazatl (Veado, Manik/Mão para os maias).
Tezcatl ("espelho") + popoca ("fumegante"): "Espelho Fumegante". Deus xamânico da noite, feitiçaria, guerra, e beleza juvenil. Senhor do Norte, representado e pelas Estrelas do céu nocturno. Deus da obsidiana.

Entre os nahuas (aztecas e outros povos de lingua nahuatl), Quetzalcoatl e Tezcatlipoca são divindades gemeas e ao mesmo tempo antagonicas. Quetzalcoatl é chamado também "Tezcatlipoca branco" enquanto a cor de Tezcatlipoca é o negro.

Entre os Toltecas, era um Deus maléfico da morte, que desceu do céu à Terra se valendo de uma teia de aranha, para destruir a obra de Quetzalcoatl.

Na verdade Tezcatlipoca é aquele que dá, mas também tira. É aquele que, recebendo sacrificios, pode nutrir os desejos do sacrificado.

Deus regente do número 10 e do signo 13 (Junco).

Seu nahualli (contraparte espiritual/animal) é Tepeyollotl, principal Deus Jaguar. Algumas das manifestações de Tezcatlipoca também são identificadas com os tonalli (dia sagrado) como Ce Miquiztli e Ome Acatl.

Quetzalcoatl - Kukulkan


Quetzalli ("pena preciosa; ave quetzal") + coatl ("serpente"): Serpente Emplumada. Deus do vento, da vida (sopro vital), da paz e do conhecimento.

Quetzalcoatl (Kukulkan para os maias), o Deus mais venerado por sua sabedoria e iluminação, tendo algumas encarnações cogitadas ao longo dos ciclos, compõe dualidade com Mictlantecuhtli (vida/morte) e também com aquele que seria sua contraparte (ou ele próprio), Tezcatlipoca.

Entre os nahuas (aztecas e outros povos de lingua nahuatl), Quetzalcoatl e Tezcatlipoca são divindades gemeas e ao mesmo tempo antagonicas. Quetzalcoatl é chamado também "Tezcatlipoca branco" enquanto a cor de Tezcatlipoca é o negro.

Deus regente do número 9, do segundo glifo do calendário sagrado, Ik [maia] ou Ehecatl [asteca], Vento, e da trezena do Jaguar, Ix [maia] ou Ocelotl [asteca].

O nahualli (contraparte espiritual/animal) de Quetzalcoatl é Chiknawi Ehecatl, o Vento, literalmente 9 Vento (ou Bolon Ik para os maias), um dos 260 dias sagrados.

RELIGIÃO MAIA - um pouco mais

Há, ainda, Xaman Ek, deus da estrêla Polar, protetor dos mercadores, que lhe faziam oferendas em oratórios colocados à margem das estradas, e, também, o deus do planeta Vênus, que, apesar de pouco conhecido, não tinha menos importância que outros, mais conhecidos.

Entre as divindades terrestres, Yum Kax, o Senhor das Florestas, o deus do milho, da prosperidade e da abundância, era o predominante. Como os cristãos, que se dizem criados do barro, os Maias se diziam criados do milho. É o único deus de formas humanas, juvenis e amáveis, portando longos cabelos, que eram associados às "barbas" das espigas de milho.


É, muitas vezes, associado a símbolos da morte, pois não se cria vida sem morte. Para germinar, é preciso enterrar os grãos e deixa-lo trabalhar como um cadáver. Yum Kax é comparado ao egípcio Osíris, ao grego Adônis e a Dumuzi-Tammuz, do Oriente Próximo, ao mesmo tempo, deuses da fertilidade e do além.

Também o feijão e o trigo tiveram seus deuses, havendo ainda, deuses que habitavam os cumes das montanhas, as confluências dos rios, as fontes e as grutas. Já o deus Jaguar tinha dois Universos: quando visível, encarnava as forças do solo; já oculto, em seu covil, encarnava as forças do subsolo.

As divindades subterrâneas são nove, ditas os Nove Senhores da Noite, ou Nove-Deuses (Bolontiku), que presidiam os nove mundos subterrâneos superpostos. É o domínio da morte e do além. O crânio descarnado e os ossos cruzados, constantes da iconografia maia, são os seus símbolos. Ah Puch é o deus da morte, representado por um esqueleto enfeitado de guizos. É acompanhado por animais de mau agouro: a coruja, o cão (que é o guia dos falecidos, sendo enterrado com o defunto) e o "demônio das nuvens", o pássaro moah (espécie de gavião).

Ainda temos Ek Chuah, deus da guerra e dos sacrifícios, estimado pelos viajantes e ambulantes, por ser padroeiro do cacau, cujos favos serviam como dinheiro, para troca.

Entre esses deuses incluímos Ixtab, deusa dos suicidas, sacrificados, soldados mortos em combate, mulheres mortas de parto, e que tinham lugar assegurado no Paraíso Maia, um éden plantado de cerbas (árvore sagrada), as árvores do kapok. Segundo a lenda, essas árvores atravessavam o Universo, dos mundos subterrâneos aos mundos celestes.

Também o tempo e os números tinham seus deuses, fato explicável pelo modo como os Maias eram fascinados pela passagem do tempo, seu ritmo cíclico, seu caráter repetitivo, seus cálculos de milhares, e até milhões de anos. Todas as divisões de tempo, os dias, os "meses" de 20 dias, os anos, os "séculos" de 52 anos, eram deificados.

terça-feira, março 8

A RELIGIÃO MAIA



A religião Maia, em seu Panteon, apresenta algumas generalidades, conforme enumera o inglês Eric Thompson (1895-1975):
a) os deuses ligados à chuva e à terra, possuem, geralmente, traços de serpente ou crocodilo, mesclados com caracteres humanos;

b) há a quadruplicidade dos deuses, cuja personalidade se desintegra em quatro indivíduos, que correspondem aos quatro pontos cardeais;

c) uma mesma divindade pode vir a ter aspecto benéfico ou maléfico, mudar de idade ou mesmo de sexo;

d) apesar de existirem três Universos, uma divindade pode estar em qualquer desses Universos, e ter ciclos diferentes;

e) grande importância no cômputo e na divisão do tempo, associado que era, aos deuses;

f) o caráter duplo, ou as funções contraditórias com a sua natureza, é explicado pelo sincretismo, devido à adoção de deuses populares, que foram recuperados pela elite dirigente.

Seu panteon se divide em 3 grandes famílias: celeste, terrestre e subterrânea, as quais veremos a seguir:

Entre as 13 divindades celestes, preponderavam Kinich Ahau (o Sol) e Ixchel (a Lua). Segundo a lenda, os dois astros, antes de se localizarem nos céus, viviam sobre a Terra como cônjuges, onde Ixchel não teria sido uma esposa muito fiel. Durante uma discussão, Kinich Ahau a teria deixado zarolha, o que explicaria o seu menor brilho nos céus.

Kinich Ahau protegia as artes (música, cerâmica e caça), enquanto que a Ixchel cabia a proteção da gravidez, do parto, das colheitas e da tecelagem. A par disso, Ixchel tem, também, o lado hostil e negativo: É a deusa das inundações, simbolizada como uma velha colérica, cercada de símbolos fúnebres, com garras de rapina, ossadas esparsas e uma serpente enrodilhada sobre seu crânio.


Kinich Ahau era associado a Itzamna (o Céu), que era uma representação da noite. Itzamna é representado por um crocodilo ou lagarto (Itzam significa lagarto em iucateque) de duas cabeças, uma viva, que representa o levante, onde nascem os astros, e outra, aparentando morta, que representava o ocaso, onde desaparecem os astros.


Os Maias imaginavam o mundo como um disco circular pousado sobre um crocodilo (ou quatro, segundo algumas versões, um para cada ponto cardeal), flutuando sobre águas subterrâneas, e comportando nove mundos subterrâneos, empilhados e dominados, cada um, por um terrível e atemorizante Senhor da Noite.

Haviam quatro gênios protetores, os Bacabs, que sustentavam o céu: um rubro, a leste, um branco, ao norte, um negro, a oeste (a noite), e um amarelo, ao sul.

Itzamna, como a maior parte dos deuses maias, também se quadruplica, e a mais frequente associação é com os Chacs, deuses da chuva e da vegetação. Sua representação é ofídica, e fazem chover emborcando ou entornando cabaças cheias de água sobre o solo. Às vezes, brandem machados de pedra que simbolizam raios e relâmpagos. São, assim, deuses da chuva, do vento, da vegetação, da fertilidade e da agricultura. Por serem benéficos e benevolentes, eram muito populares em Yucatan, onde a chuva era ansiosamente aguardada.





Durante o renascimento dos séculos XI e XII, prepondera o culto da Serpente Emplumada, ou Kukulkan, que equivale ao Quetzalcoatl dos Astecas. Eram a época de domínio dos Itzas, e o culto ficou centralizado em Chichen Itza. Kukulkan teria sido um personagem histórico, um chefe religioso e guerreiro, mas, após a queda dos Itzas, seu culto desaparece de imediato, ressurgindo, então, os antigos deuses Maias.Kukulkan oeste ao longo da face norte da escada de El Castillo, Chichen Itza

O clero tinha lugar de honra junto ao governo, por ter este o caráter teocrático. A autoridade religiosa estava superposta à tribal, e aos sacerdotes cabia transmitir a escrita, o calendário, a astrologia, a genealogia, a história, a mitologia, a medicina e a adivinhação, sendo, ainda, seu dever, prestar aos deuses, o culto que lhes era devido.

Se supõe que o clero dependia de uma classe privilegiada e hereditária, havendo, pois, preponderância do temporal sobre o espiritual. É provável que esses poderes fossem atribuídos à mesma pessoa, pois a expressão halach uinic, que denomina o supremo mandatário, pode ser traduzida por governador-bispo.

Na hierarquia Maia, logo abaixo do Halach Uinic, um segundo grande sacerdote era responsável pelo ensino, conservação e transmissão dos conhecimentos acima enumerados.

Os Ahkin (Os do céu) eram encarregados das especulações intelectuais, embora estivessem entre os oficiantes de sacrifícios, além de terem a missão de profetizar.

Os Chilams (Adivinhos) profetizavam, consultando os calendários divinos ou entrando em transe, através de danças e percussões frenéticas, talvez auxiliados por drogas inebriantes, como a mescalina. Ao consultar os escritos sagrados, aspergiam-nos com água pura, chamada Zu Huy, proveniente de fontes ou cenotes (poços) particulares, os quais eram proibidos às mulheres.

Os Nacoms tinham ligação com a morte: eram incumbidos de arrancar o coração das vítimas sacrificadas. Nessa tarefa eram auxiliados por quatro Chacs, associados ao deus da chuva e da vegetação, os quais seguravam a vítima. Os Nacoms eram assistentes dos Ahkins, a quem entregavam o coração, tão logo este era extraído.


fonte de pesquisa: internet